Aos poucos e bons. Sempre.

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domingo, 24 de abril de 2011






Amor?




Uma produção da Copacabana Filmes e da Fogo Azul Filmes, em co-produção com a Labocine e o canal GNT, da Globosat, foi filmado em super 16mm e finalizado em 35mm. O longa-metragem chega ao circuito nacional em 15 abril, depois de arrebatar o troféu de Melhor Filme, conferido pelo Júri Popular no Festival de Brasília em novembro passado, num claro indício de que João Jardim e sua equipe de colaboradores atingiram o objetivo.



"Delegar a atores a árdua tarefa de trazer para si e tornar verossímeis aquelas histórias surgiu então como a única alternativa plausível. Uma alternativa que envolvia riscos, é claro. E, de certa forma, reclamava uma espécie de "questionamento" do que se convencionou chamar de documentário."




Filme de cabeceira. Pra ver, pensar, questionar e, quem sabe, amadurecer mais e sempre. Excelentes atuações. Parabéns para Fabiula Nacimento e Júlia Lemmertz dentre as mulheres. Eduardo Moscovis é tão homem que chega a ser apaixonante. O "documentário" ficou comigo ruminando por algumas horas, dias enfim. Pensando e mastigando quanto e quando o precipício debaixo dos seus pés se torna tão grande que mesmo sem vontade de pular, você acaba sendo engolido por ele. Pela vida.



www.amorofilme.com.br

terça-feira, 12 de abril de 2011

Paixão segundo GH. Livro de cabeceira.

Voar com suas próprias asas

Cléo se olha no espelho e sorri. Fazia tempos que não sorria para ela mesma. O sol vindo pela fresta da janela do banheiro ressaltava seus olhos marrons e cativantes. Percebeu o quão era bonita. Fechou os olhos pra pentear seus cabelos e ao abrí-los deu uma piscada. Piscou pra vida. Desafiando-a. Só não sabia ao certo pra quem era aquele desafio. O dia começava ali naquele instante e estava tão segura de si que nada podia detê-la. Escovou os dentes olhando fixamente para seu próprio olhar. Sentiu-se livre. Como as asas de uma borboleta cintilante colorida que ofusca de tanta beleza os olhos dos seres humanos. As pessoas a cobravam que aquele brilho tinha sumido. Brilho esse que sempre a fez voar leve e solta pelos corações de amigos e pessoas das quais ela compartilhava sua vida. Ela sentiu que o raio daquele brilho tinha voltado. Porque para ela, esse brilho ela nunca viu, mas as pessoas diziam tanto que estava com ela que se conveceu que o tinha. Ela sempre foi diferente. Os homens temem sua nuca que fica à mostra com seus cabelos curtos e as mulheres da sua inteligência. E ela nem se importava mostrar a sua nuca, mas se importava (e muito) com a sua inteligência. Por um momento em sua vida, deixou de lado quem era pra poder amar. Entretanto, ficou sem o tal brilho. Já não era ela. Se perdeu. E, ali, naquela manhã depois de muito tempo se achou. Terminou de se arrumar, fez sua rotina matinal e saiu. Saiu para a vida, para o trabalho. Dirigiu ouvindo Tim Maia. Com o blues triste e sonoro daquela voz quase negra entrando no seu coração entendeu que a via lhe põe obstáculos, tristezas e fúrias. Ela, uma mulher "brilhante" , ainda não tinha entendido que, não importa o que acontecer,o que se passar, nunca poderá deixar de existir para ela e para aqueles que ela cativou. Sorriu. Desligou o ar-condicionado do carro. Abriu a janela para sentir o vento. Ele levou o que ela já tinha perdido e refrescou quem ela era. Cléo entendeu naquele instante com aquela mensagem quase que subliminar que suas asas estavam ali. E que, ao contrário das borboletas que vivem quarenta dias, ela viveria por anos. Não podia deixar de bater suas asas. E vôou. Um vôo solitário no carro ao som daquelas músicas. Porém, estava certa que, se não existissem janelas ela voaria. Voaria longe e sempre. Brilhando por entre aqueles que a conhecem e por entre outros que não temem pela suas asas. Estava feliz e solta. O zunido silencioso da suas asas deixou pra trás o medo de voar. E se foi. Para ela, para vida. Sentiu que a piscada do espelho tinha retornado com uma resposta. A vida lhe respondeu para buscar sua felicidade.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Gentileza


Teve um tempo que as flores eram mais belas. E que os sorrisos eram mais engraçados. Houve um tempo que as certezas eram tão certas que nem deixavam espaço para dúvidas. As decisões eram tomadas com meta, finalidade e em sentimentos que seriam admiráveis por qualquer pessoa especialista em cálculos. Houve ainda um dia que o sol era tão bonito que chegava a cegar o mais treinado olho em enxergar. Os corações eram tão sinceros que venciam a certeza do racional. A magnitude estava no simples fato de estar presente e conviver. Não sei dizer quando se perdeu. Só sei que não está mais lá. As flores aprodecem secas e rígidas. Os sorrisos soam falsos e insolentes. As decisões são baseadas em fatos reais e cruéis. O sol é combatido pelos óculos escuros e chega a irritar de ser tão irradiante e quente. O coração calou-se e abre os olhos pra sobreviver. A convivência tornou-se impossível velada entre ligações, que se tornaram obrigatórias. E hoje ela se cala e engole a seco como facas afiadas que vão lhe cortando a garganta. Tentando enxergar a fresta iluminada que vem da cortina e que ofusca sua visão ao amanhecer. Lembra do Profeta. "Gentileza gera gentileza". Ah, Gentileza. Se as pessoaos conseguissem enxergar o quanto somos gentis.... E posso garantir, elas não enxergam.